Faria uma loucura por beleza?
Morro de medo de cirurgia. Já soube de tanta história triste e de tanto desperdício... Acho que esses tipos de loucuras não tem nada a ver... Quem quer pode correr atrás sem recorrer a cirurgias, plásticas e lipos... Eu sei que consigo viver sem isso. Ninguém vai ser mais ou menos se for linda e escultural por fora. Tenho mais o que fazer e com certeza não será isso que vou levar comigo quando não estiver mais aqui. Acho que a cirurgia só é legal se for para melhorar a auto-estima, se for algo que te incomode, coisas simples ou principalmente se estiverem prejudicando a saúde.
Você é vaidosa?
Não tenho aquela vaidade que me mata. Gosto de ir ao salão em datas especiais ou para dar uma animada quando acho que preciso. Procuro estar sempre em ordem, as vezes eu mesma faço minhas unhas, adoro comprar esmaltes, quando surto, passo tintura no cabelo em casa mesmo, faço hidratação, esfoliação, tenho coleção de hidratantes, adstringentes, shampoos e condicionadores. Mas minha vaidade não vai nada além do normal.
E o que você abomina na beleza?
Não que eu abomine a pessoa, mas a vaidade em excesso me irrita. Sabe aquele homem impecável, fresco, sistemático, intocável? Sabe aquela menina magra, mas que junta os tostões para fazer lipo, colocar silicone, aplique, que gasta o salário em roupa e sapato? Essa vaidade para mim é futilidade. Ninguém é impecável. Todo mundo tem suas falhas, gripe, febre, dor de cabeça, dias que não quer fazer a barba. Acho que todo mundo deveria se cuidar sim, mas mostrar o que é.
Você acha que passa imagem de “gente boa”? Você se considera bacana?Já fui bem mais gente boa antes. Acho que sou bacana, sou normal. Não tenho isso de me preocupar em ser gente boa, mas me preocupo em ser correta, justa nas situações e ser gentil com as pessoas. Claro que tenho meus dias de mau-humor, mas ninguém tem nada a ver com isso. Detesto ser mal interpretada, me torturar por algo que fiz e não deveria ter feito ou dito, eu não durmo quando isso acontece... Odeio parecer grosseira ou egoísta.
O que você sente quando escreve e se expõe?Eu não venho de uma família de intelectuais, mas sempre admirei muito os elogios que minha avó recebe pelas poesias que faz e pelas lições de vida que ela passa, sempre me orgulhei em dizer que minha mãe tem cinco faculdades, ela é a mulher mais inteligente que já conheci, sabe lidar com todo tipo de situação. Desde cedo tive boas escolas e bons contatos, antes não dava muito valor a isso, mas sempre escrevi, mesmo que fosse num diário, num caderno só para mim. Hoje valorizo mais isso, tenho prazer quando aprendo algo novo, me sinto bem em passar meu conhecimento e minhas experiências para frente. Sinto necessidade de me expressar pela escrita e ao mesmo tempo um grande alívio Tento fazer isso com responsabilidade e sensatez, e ainda assim me preocupo, pois as pessoas são muito influenciáveis.
Você tem inspirações para escrever?Não muitas, mas elas vêm das circunstâncias, do momento, de uma reflexão bem feita, de um filme, um livro, uma pessoa ou como na maioria das vezes de fazes muito pessoais. A terapia também vem me ajudando muito. Adoro quando minhas amigas falam que gostam de me ouvir e de conversarem comigo! Acho que elas gostam por isso mesmo, por serem palavras íntimas, por eu conseguir expressar as sensações das minhas experiências com carinho e gratidão.
Você é muito crítica com seu trabalho?
Sou, e acho que tem que ser. Me considero organizada e perfeccionista, as vezes até chata. Errar faz parte, mas quero estar sempre acertando. Acho bom que sejamos determinados e ser critico é ser cuidadoso e exigente, querer o melhor de você. E eu também quero o melhor de mim sempre. Aliás, em todos os aspectos da minha vida. Se você quiser ser advogado, deve se atualizar, treinar e pesquisar para sempre ganhar causas... Se quiser ser professor, tem que no mínimo saber escrever e falar corretamente, saber sobre a matéria e estudar cada dia mais para poder ensinar com qualidade... Se quiser ser mãe, primeiramente tem que ter princípios, consciência, se dedicar, renunciar, se doar... E assim por diante.